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8 de jun. de 2011

Vidência

Paulo César Pinheiro


        Eu vi uma velha, um velho e vi um menino.
        E sobre as mãos e o colo da anciã
        Eu vi a renda, a agulha, o bilro e a lã
        Com que tecia as malhas do Destino.


        Eu vi uma velha, e vi um menino e um velho.
        E o quase cego olhar desse ancião
        Tentava achar em nosso coração
        Vestígio ao menos de seu Evangelho.


        Eu vi um menino, um velho e vi uma velha.
        E esse menino me arrastava a ela.
        E a luz do velho se fechava em breus.


        Chama-se Tempo esse menino forte.
        E a costureira, pois, chama-se Morte.
        E o velho cego, então, chama-se Deus.

Poema extraído do livro "Viola Morena", Edições Tempo Brasileiro – Rio de Janeiro, 1984, pág. 33.

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