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8 de jun. de 2011

Purgatório - Canto XI

Dante Alighieri


"As almas dos orgulhosos cantam o Pai Nosso, como parte da penitência que visa purificá-las através do exercício da humildade."

    "Ó Padre nosso que nos Céus estás,
    não circunscrito, mas em todo o amor,
    que aos primos entes do teu feito dás,


    louvado seja o teu Nome e Valor
    por toda criatura, à qual apraz
    render graças também ao teu Vapor.


    Bem venha do Teu reino a nós a paz,
    porque de procurá-la, se dos Céus
    não vier mais, nosso engenho é incapaz.


    Como, de seu querer, os anjos teus
    fazem, cantando a ti, renúncia pia,
    o mesmo façam os homens dos seus.


    Dá-nos hoje o maná de cada dia,
    que, se faltar neste deserto infido,
    vi pra trás quem pra frente mais porfia.


    E como nós o mal que hemos sofrido
    a cada um perdoamos, tu perdoa
    benigno, sem cuidar se é merecido.


    Nossa virtude que preste esboroa
    não experimentes co' o antigo adversário
    mas dele nos liberta, que a aguilhoa.


    Este rogo, Senhor, que último eu digo,
    por supérfluo, não é pra o nosso bando,
    mas pra os que ainda não têm o seu castigo".

De sua principal obra, "A Divina Comédia" ("Purgatório"), Editora 34 Ltda. - São Paulo, pág. 73, tradução de Italo Eugenio Mauro, extraímos o texto acima.

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